Fábula dos homens e suas palavras. Homem número 3

Enviado por danitacotrim, dom, 18/07/2010

Um homem, quando muito jovem, foi mordido por uma palavra.
O assalto veio de um poema infecciosamente belo, que o contaminou atingindo o coração, como um mal de Chagas. Incubado no princípio, assintomático em sua fase aguda, o caso foi se tornando crônico, progredindo silencioso por vinte anos. Paralelo aos super-heróis, esse tipo era também uma espécie de Hulk, homem-aranha ou vampiro (comenta-se que igualmente não suportava alho), pois sua força, por ironia, vinha de sua maldição.
Quando a febre se tornava insuportável, ele escrevia com raiva e espírito de vingança, deixando nas páginas torrentes vermelhas, pulsantes. Assim ele aliviava a exaltação, desenfreado sem pontos nem vírgulas naquela hemorragia de letras, perigosamente contagiante ao leitor. Passada a compulsão, novamente assumia feição humana, podendo pedir um pingado no boteco, sem que o cidadão ao lado lhe adivinhasse a condição de besta-fera.
Esse homem que tem a palavra em seu sangue, não tem escolha. É um escritor.

(para quem tiver curiosidade, a história dos Homens números 1 e 2 está no meu Blog: www.contoscondensadoseextratodepoesia.blogspot.com , aproveito para contar que estarei pela Flip nos dias 06/07 e 08).

 

 

 

Fábula

Olá, Danita. Gostei muito de sua habilidade na prosa com esta fábula. Vou ler as anteriores.

Um abraço.

Alvaro

Olá querido Alvaro, estive

Olá querido Alvaro, estive sumida andando pelo interior da Dinamarca, acredita!  Obrigada. vou voltar a ser mais assídua. Irás à Flip?

Flip

Dinamarca, heim! Na certa tem muita poesia para nós. Quero ver se vou à FLIP, ainda não sei. Um abraço.