lua cheia,
da praia se vê
o farol apagado
ávidas mãos
as da beleza
nem sempre puras
quando vazias
desesperam
a sombra atua
nas peças de roupa
dos vesperais
Um homem, quando muito jovem, foi mordido por uma palavra.
O assalto veio de um poema infecciosamente belo, que o contaminou atingindo o coração, como um mal de Chagas. Incubado no princípio, assintomático em sua fase aguda, o caso foi se tornando crônico, progredindo silencioso por vinte anos. Paralelo aos super-heróis, esse tipo era também uma espécie de Hulk, homem-aranha ou vampiro (comenta-se que igualmente não suportava alho), pois sua força, por ironia, vinha de sua maldição.
Quando a febre se tornava insuportável, ele escrevia com raiva e espírito de vingança, deixando nas páginas torrentes vermelhas, pulsantes. Assim ele aliviava a exaltação, desenfreado sem pontos nem vírgulas naquela hemorragia de letras, perigosamente contagiante ao leitor. Passada a compulsão, novamente assumia feição humana, podendo pedir um pingado no boteco, sem que o cidadão ao lado lhe adivinhasse a condição de besta-fera.
Esse homem que tem a palavra em seu sangue, não tem escolha. É um escritor.
(para quem tiver curiosidade, a história dos Homens números 1 e 2 está no meu Blog: www.contoscondensadoseextratodepoesia.blogspot.com , aproveito para contar que estarei pela Flip nos dias 06/07 e 08).
Nas manhãs você freqüenta o templo do meu corpo, como uma religião,
Delicadamente vem tomar com a língua a minha hóstia em rito dominical.
E assim declaramos e praticamos, na cama mesmo, a nossa comunhão.
calças coloridas
cabelos alisados
com franjas gigantes
em outros tempos
(não muito tempo atrás)
os jovens eram punks
florescem
árvores de lanternas
no meu jardim
http://nydiabonetti.blogspot.com/
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